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Num dia normal, nem nos passa pela cabeça a quantidade de palavras que nos saem da boca para fora. Umas intencionalmente, outras nem tanto.

Falamos o que é preciso dizer para comunicar uns com os outros, para passar a mensagem, para partilharmos o que nos vai “na alma”, e muitas das vezes nem nos apercebemos daquilo que dizemos. Isto acontece porque não estamos presentes… Quantas vezes dou por mim a responder a uma pergunta, sem ter mesmo ouvido a pergunta, tendo de pedir para voltarem a repetir pois não ouvi nada, apenas respondi no automático.

No dia a dia, muitas são as conversas de circunstância, para que o silêncio não se instale. Ouve alturas na minha vida, em que tentava andar informada sobre os assuntos atuais (desde futebol à politica), para ter sempre assunto, e me pudesse enquadrar no grupo.

Tudo não era mais do que vazio… Uma forma de preencher o silêncio que nos invade quando ficamos na quietude…

Neste momento, estou a treinar para deixar de usar aquilo a que eu chamo de: “conversas de gozo”. Aquele tipo de conversa em que uso uma piada, ou introduzo uma expressão de brincadeira, ainda que a conversa seja séria…. Tem sido um desafio constante, pois muitas vezes esse registo sai cá para fora, sempre pronto a “gozar com a situação”.

Se tiver consciência de que as palavras são poder, e de que se as usar da forma ideal, posso criar a minha realidade ao tomar consciência de como emprego as palavras ou a energia com que as pronuncio, de certo que tudo flui de uma forma natural.

Saber ficar em silêncio, é algo que se aprende. Saber ouvir também.

Ainda me recordo daquelas alturas em que não conseguia ouvir, e interrompia sempre quem estava a falar, muitas das vezes com uma observação que não tinha nada a ver…

Também me recordo de uma vez há algum tempo atrás, em que ainda a minha filha era uma criança, estávamos no campo e apanhamos um gafanhoto. O bichinho começou a segregar um líquido castanho da boca, e eu (na brincadeira) disse que era dali que vinha a coca-cola….

Sem comentários, até porque ainda há dias ela me relembrou disso, e disse que eu a tinha enganado…

Foi uma brincadeira, e até podia dizer que foi sem maldade, mas podia ter repercussões   bem graves. E depois ainda pensei quantas coisas eu disse na “brincadeira” que podiam ter ou tiveram um resultado diferente… Dá que pensar e acima de tudo dá para ter tento na língua!

Isabel Pato

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