Hoje li um texto que me fez reflectir sobre como, com o pretexto de se cuidar da estética, imposta principalmente às mulheres, se mal trata o corpo, negando-o, rejeitando-o, cortando-o, talhando-o e enchendo-o com plastico. Tatuando-o...

Horrores que se praticam.

O corpo, o nosso lindo corpo, foi nos dado como um Templo que devemos adorar. Temos de reconhecer nele toda a divindade do ser, sem julgar, porque é noss. É a nossa identidade, a nossa personalidade. Nele estão escritas as nossas histórias.

Leiam, mas leiam com a mente e o coração, e ainda hoje, amem o vosso corpo!


"Nada mais ridículo e demonstração de anemia de espírito que as belezas construídas à base de botox e de plásticas desnecessárias. Sobre este embelezamento artificioso está montada toda uma indústria de cosméticos e práticas de emagrecimento em clínicas e SPAs que dificilmente servem a uma dimensão mais integradora do corpo.

Cabe reconhecer que há uma beleza própria de cada idade, um charme que nasce da existência feita de luta e trabalho que deixaram marcas na expressão “corporal” do ser humano. Não há photoshop que substitua a beleza rude de um rosto de uma trabalhadora, talhado pela dureza da vida e com traços faciais moldados pelo sofrimento. A luta de tantas mulheres trabalhadoras, nas cidades, no campo e nas fábricas deixou em seus corpos um outro tipo de beleza, não raro, com uma expressão de grande força e energia. Falam da vida real e não da artificial e construída. As fotos trabalhadas dos ícones da beleza convencional são quase todos moldados por tipos de beleza da moda e mal disfarçam a artificialidade da figura e a vaidade frívola que aí se revela.
Tais pessoas são vítimas de uma cultura que não cultiva o cuidado próprio de cada fase da vida, com sua beleza e irradiação, mas também com as marcas de uma vida vivida que deixou estampada no rosto e no corpo as lutas, os sofrimentos, as superações. Tais marcas criam uma beleza singular e uma irradiação específica, ao invés de engessar as pessoas num tipo de perfil de um passado irrecuperável."

Leonardo Boff

Composto por: Isabel Pato